25 de Julho: Dia da Mulher Negra, Latino Americana e Caribenha

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No Brasil, o dia 25 também homenageia a líder quilombola Teresa de Benguela.

 

No dia 25 de julho, celebra-se o Dia da Mulher Afro-Latina-Americana e Caribenha. Esta data foi criada em 25 de julho de 1992 durante o I Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-caribenhas, em Santo Domingo na República Dominicana, como marco internacional da luta e da resistência da mulher negra. No Brasil, a data também homenageia Tereza de Benguela, uma líder quilombola que viveu no atual estado do Mato Grosso, no Brasil, durante o século 18. Foi esposa de José Piolho, que chefiava o Quilombo do Piolho. Sob a liderança da Rainha Teresa, a comunidade negra e indígena resistiu à escravidão por duas décadas. Ela comandou a estrutura política, econômica e administrativa do Quilombo.

Em 2017 a luta e a resistência das mulheres negras não diminuiu. Apesar de melhoras na condição de vida dos brasileiros, a série de ataques contra a classe trabalhadora, penaliza ainda mais a mulher negra. A reforma trabalhista, aprovada pelo Senado Federal, atingirá em cheio a população negra com a precarização. As mulheres negras, em especial, com os menores salários e taxa de desemprego duas vezes maior que a dos homens brancos serão as principais prejudicadas. As constatações são do Seminário “A Reforma Trabalhista na vida das mulheres negras”

Do Dieese, a técnica Carolina Gagliano demonstrou que as mulheres negras são as mais vulneráveis, em ocupações com menor proteção social, sem carteira assinada, no emprego doméstico ou trabalhando como terceirizadas, em geral na limpeza. No entanto, a inclusão delas no mercado de trabalho ainda é um desafio. Reflexo do passado escravocrata e do racismo estrutural, a pesquisadora revelou que a taxa de desemprego delas é bem maior do que a do restante da população. No caso das mulheres pretas, é de 14%, o dobro da taxa de desempregados entre os homens brancos, de 6,9%. A de mulheres pardas, com a segunda taxa mais baixa, é de 13%, mais alta do que as desempregadas entre as mulheres brancas, 9,7%.  

“O desemprego não é só maior entre as mulheres negras. Existe uma diferença não apenas na inserção de homens e mulheres no mercado de trabalho, mas entre mulheres negras e brancas”, destacou. “É muito importante a gente ver esse dado e entender que a realidade brasileira ainda tem como resquício a escravidão na nossa realidade objetiva hoje”, disse Gagliano.

A técnica também apresentou dados da remuneração média de mulheres negras, maioria na pirâmide do mercado de trabalho, que é R$ 1.125, contra R$ 2.589 dos homens brancos. Isso acontece, frisou, mais uma vez, porque elas estão nas ocupações menos valorizadas. Além disso, são as mulheres negras que enfrentam a jornada doméstica mais pesada. Dados do Ipea de 2013, revela Gagliano, mostram que as mulheres pretas e pardas gastam quase 22 horas semanais com afazeres da casa. Esse número cai para 9 horas quando a referência são homens não-negros. “Tem um estudo do Ipea contabilizando que mulheres trabalham 8 anos a mais que os homens”.

Com as mudanças propostas, a inserção dessas mulheres no mercado de trabalho não apenas se tornará mais difícil pela discriminação, como mais precária, em piores condições, alerta a advogada da Justiça Global Alexandra Montgomery. Ela fez um apanhado sobre a exclusão das mulheres negras do mercado formal de trabalho desde a escravidão. Lembrou que desde o início do movimento feminista, as negras, no Brasil, já trabalhavam há tempos, como mulheres escravizadas, quituteiras ou trabalhadores livres em diversas atividades, mas sem o reconhecimento devido.

Segundo a advogada, não é possível fazer uma discussão sobre a flexibilização das leis do trabalho sem pensar em que serão as pessoas mais atingidas e que, neste debate, raça, classe e gênero estão entrelaçados. “Desde o pós-escravidão, o que sobrou para as negras, que sempre trabalharam? Sobrou o trabalho doméstico que ninguém que fazer”, frisou. Montgomery lembrou ainda a grande resistência que foi a formalização do trabalho doméstico A medida equiparou os direitos dessas profissionais aos demais trabalhadores do país apenas em 2015.

Com a reforma trabalhista e o incentivo à precarização, a historiadora Wania Sant’Ana denunciou a estratégia do Estado de alijar a população negra das riquezas do país. Na avaliação dela, não é possível aceitar mais uma reforma que torne o mercado de trabalho excludente.

“Os fatos mostram a agressividade das elites contra o legítimo direito desse segmento (negro) afirmar que tem direitos, nós não somos iguais, portanto, quando o desmonte do Estado se apresenta, sabemos que vai se abater de diferentes formas e, no nosso caso, a perversidade é maior. São mais de 120 anos da lei que as pessoas chamam de Lei Áurea (da abolição) e somente nesta última década, mal e porcamente que a população negra conseguiu obter alguns avanços”, criticou.

 
Com informações do Brasil de Fato*

Atos pelo Dia da Mulher Negra, Latino-americana e Caribenha:

CUT ABC convoca: atividade de rua pelo Dia da Mulher Negra, Latino-americana e Caribenha

Dia Nacional de Teresa de Benguela em Mauá: Praça 22 de novembro, S/N – Centro às 13h30.

Marcha das Mulheres Negras São Paulo – Concentração às 17h na Praça Roosevelt

 

FEM - CUT/SP


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